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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Meu Corpo, Minhas Regras

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Sabe aquela reação natural de quando a gente vê uma criança e quer já tocar, abraçar e beijar? Mas quantas vezes nos perguntamos se a criança quer esse nosso carinho? Ela quer aquele apertão na bochecha naquele momento? Ou aquele beijo? É bem fácil esquecer que as crianças já têm suas vontades e personalidades desde muito pequeninas, e é muito errado da nossa parte “esquecermos” disso.



Nunca fui uma mãe muito convencional, digamos assim, vou contar um caso que aconteceu comigo quando o Leo devia ter uns 3 anos para que entendam como eu penso e educo meus filhos. O Leo é um menino muito doce e carinhoso, mas somente com quem ele conhece, e sempre foi assim, desde bebezinho. Porém, ele tem uma opinião muito forte, e defende ela sempre que pode e isso muitas vezes faz com que as pessoas achem que ele é bravo. E um outro detalhe: ele tem os cabelos bem ruivos e olhos verdes, o que faz que chame a atenção naturalmente por onde passa. Mas vamos a história: eu estava com ele no supermercado, e como estava só eu e os dois ninos, coloquei eles sentados dentro do carrinho de compras, e estava lá, andando entre as prateleiras escolhendo o que precisava e em algum momento desses uma mulher se aproximou e começou a fazer carinho no Leo (oi?) e ele olhou com uma cara muito feia pra ela deixando bem claro que não estava gostando nada do que estava acontecendo. Ela percebeu e veio tirar satisfação comigo “você não ensina ao seu filho receber carinho não?”. Eu só respondi o seguinte: “ele sabe muito bem de quem quer receber carinho, ele nunca te viu (e eu também não) então é natural ele não querer a sua atenção”. Ela foi embora indignada que não chamei a atenção do MEU filho para que ELA pudesse continuar a tocá-lo.

Com essa história, temos duas vertentes a seguir: nós adultos temos que ter consciência que não temos bandeira verde para tocar nas crianças quando bem entendermos, conhecendo a criança ou não. Na verdade, é pior ainda quando não conhecemos, se eu ver um homem bonito na rua, posso chegar fazendo cafuné no cabelo? Não né... Então porque posso fazer isso com uma criança??? Eu não posso!!! Essa é a reposta, simples assim. E a segunda vertente é: como educadores das crianças, temos que prepará-las para o mundo, e no mundo real, não temos como diferenciar o toque despretensioso de uma pessoa com o toque de quem tem outras intenções.

Imagem Google

Nessa segunda vertente, eu converso abertamente com os ninos, desde que começaram a entender, eu sempre digo, que ninguém pode tocar o corpo deles sem a autorização, nem mesmo de brincadeira. Na prática, eu ensinei que para ir no banheiro da escola, mesmo para fazer xixi é onde tem a portinha, e não no mictório; nos banheiros em locais públicos, quando eu estou sozinha com os ninos, vamos somente no banheiro de família; que as partes íntimas só podem ser mostradas – se for preciso – somente para os membros da família mais chegados e se realmente for necessário para algum professor ou responsável e eu quero sempre saber se isso aconteceu, isso são alguns exemplos dos cuidados que tenho com eles neste sentido.

Não estou dizendo para as crianças não seguirem as regras sociais de educação, mas sim, elas aprenderem que a boa educação não é deixar tocá-las livremente, elas têm o direito de escolher quando e de quem querem esse contato, assim como todos nós. E se não ensinarmos, como elas  vão saber diferenciar o carinho da tia exagerada que força um beijo toda vez que ver de um possível predador?


Imagem Google
Fico a disposição para conversar sobre este ou qualquer outro assunto relacionado a maternidade, afinal, é trocando experiencias que vamos aprendendo mais, não é mesmo?

Até semana que vem Inspiretes!

2 comentários:

  1. Tema muito sério e que deve ser discutido a exaustão. Gostei muito do post e a forma como o assunto foi tratado. Parabéns!

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    1. Realmente temos que falar mais sobre isso, fico feliz em saber que gostou do post. Bjus

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